loures não é basteão comunista faz mais de 6 anos.
desde que o partido socialista acentou arraial na rua de republica que florescem rotundas nos sitios mais inesperados, se alisam e abrilhantam as estradas, se mudam placas e afins. mas a higiene dos acessos à cidade não foi a única mudança. hoje temos mais lojas na rua principal, incluindo franchises e bazares chineses. o comércio tradicional globalizou-se e o que era original de loures já não se acha. o pão de ló de loures, a nossa local delicassy, a única acho, já não se vende em nenhum lado, e a ultima loja old school deu lugar a um talho pop, discount, dos que tem frango sem miúdos a 0.99€, porque como toda a gente sabe, ter miúdos sai caro.
saiu o comunismo e entrou o consumismo. o loureshopping já bateu os serviços municipais na capacidade de dar emprego a todos os que tiveram namorados aos 11 e começaram a fumar aos 13.
o suburbio loures. que já foi campo de onde vinham as hortaliças para lisboa, que foi berço revolucionário da implantação da republica, que deu casa a profissionais liberais que achavam caro morar em lisboa nos anos 60, que aceitou o comunismo apartir de 74 para só o largar 25 anos depois, que aceitou todos os que vieram de angola, moçambique, cabo verde, goa, gamão e dio. loures que tem 3/4 de população exótica. loures que rega as hortaliças com água do trancão, o rio que vai dar ao Tejo e onde já houve peixes, areia e corrente forte para tirar o sabão da roupa branca.
A loures pós-moderna já criou os seus próprios marcos. Comer caracol, um hábito adquirido por volta dos anos 60, ascendeu ao estatuto de tradição local. o festival, um conjunto de barraquinhas das tascas locais, tem bombado nos últimos 6 anos e veio substituir as habituais festas da cidade, onde havia concertos, carrocel, artesanato e paródia. eu fui e eu ponho posts da comida assim que puder, logo à noite, probably. loures, a terra do futuro, especialista em slow food. a comida do futuro?

